quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Na curva dos cinquenta

Hoje o Roger faz cinquenta.

Não são só cinquenta anos, acho de verdade que são cinquenta vidas. Aquelas que ele me conta foram tantas e tão diversas...

Tem a vida do menino que se viu homem na manhã em que seu pai se foi.

A vida do jovem da Floresta com seu um milhão de amigos, aquele que descia sem freio a rua Estevão Pinto e comprava briga no sinal, no bar, na esquina, onde calhasse (Foi nessa vida aí que o anjo da guarda dele, depois de perder todas as penas da asa, se aposentou.)

A vida daquele que, para defender os amigos, fazia de um tudo, inclusive quase levar seis tiros.

A vida do yogi, professor de meditação e vegetariano, que ia meditar por trinta dias em silêncio.

A vida do trilheiro, dos domingos derrapando no barro, dos amigos no Bar do Marcinho.

A vida de um dos maiores mulherengos que tive notícias e que deixou muitos corações quebrados pelo caminho (até onde sei, metade as amigas do facebook foram um pouco mais que amigas.😜😜😜😜)

A vida do mecânico de motocicletas, que só pelo barulho me diz a marca, o modelo, a cor, o nome e o ano da moto que para ao nosso lado no sinal.

A vida do existencialista e filósofo, com seu rogeísmo, que para alguns virou religião.

A vida do irmão, tio, padrinho, que na verdade sempre foi pai.

Tem a vida do samaritano, que ajuda a todos das formas mais diversas, até quando, para ajudar um amigo ou um desconhecido, tem que brigar com meio mundo.

A vida daquele que provoca sempre reações apaixonadas dos amigos, da família dos amigos, dos conhecidos e até daqueles que só por um minuto tiveram a sorte dele cruzar o seu caminho. Aliás, provocar reações apaixonadas é uma constante em todas as vidas dele.

Mas tem uma característica única em todas essas vidas e quem o conhece sabe que não estou jogando elogios ao vento: Roger é extraordinário. O comum, o simples, o banal, o medíocre, passaram a quilômetros luz de todas as suas vidas

Impossível não admirar esse homem, com seus olhos que enxergam muito mais e mais longe do que os nossos e com seu coração que sente a dor dos outros e acha que ela é sempre maior do que as próprias dores.

Impossível não respirar fundo e segurar a lágrima que teima em rolar vendo como ele luta no escuro e vence sempre, igual ao Demolidor.

Por fim, tem a vida que ele divide comigo. Com a paciência que a maturidade traz (e haja paciência para me aturar) e a alegria com que ele me olha todos os dias.  


Feliz Aniversário, meu amor!






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