Não são só cinquenta anos, acho de verdade que são cinquenta
vidas. Aquelas que ele me conta foram tantas e tão diversas...
Tem a vida do menino que se viu homem na manhã em que seu
pai se foi.
A vida do jovem da Floresta com seu um milhão de amigos,
aquele que descia sem freio a rua Estevão Pinto e comprava briga no sinal, no
bar, na esquina, onde calhasse (Foi nessa vida aí que o anjo da guarda dele,
depois de perder todas as penas da asa, se aposentou.)
A vida daquele que, para defender os amigos, fazia de um
tudo, inclusive quase levar seis tiros.
A vida do yogi, professor de meditação e vegetariano, que ia
meditar por trinta dias em silêncio.
A vida do trilheiro, dos domingos derrapando no barro, dos
amigos no Bar do Marcinho.
A vida de um dos maiores mulherengos que tive notícias e que
deixou muitos corações quebrados pelo caminho (até onde sei, metade as amigas
do facebook foram um pouco mais que amigas.😜😜😜😜)
A vida do mecânico de motocicletas, que só pelo barulho me
diz a marca, o modelo, a cor, o nome e o ano da moto que para ao nosso lado no
sinal.
A vida do existencialista e filósofo, com seu rogeísmo, que
para alguns virou religião.
A vida do irmão, tio, padrinho, que na verdade sempre foi
pai.
Tem a vida do samaritano, que ajuda a todos das formas mais
diversas, até quando, para ajudar um amigo ou um desconhecido, tem que brigar
com meio mundo.
A vida daquele que provoca sempre reações apaixonadas dos
amigos, da família dos amigos, dos conhecidos e até daqueles que só por um
minuto tiveram a sorte dele cruzar o seu caminho. Aliás, provocar reações apaixonadas
é uma constante em todas as vidas dele.
Mas tem uma característica única em todas essas vidas e quem o conhece
sabe que não estou jogando elogios ao vento: Roger é extraordinário. O comum, o simples, o banal, o
medíocre, passaram a quilômetros luz de todas as suas vidas
Impossível não admirar esse homem, com seus olhos que
enxergam muito mais e mais longe do que os nossos e com seu coração que sente a dor
dos outros e acha que ela é sempre maior do que as próprias dores.
Impossível não respirar fundo e segurar a lágrima que teima
em rolar vendo como ele luta no escuro e vence sempre, igual ao Demolidor.
Por fim, tem a vida que ele divide comigo. Com a
paciência que a maturidade traz (e haja paciência para me aturar) e a alegria com
que ele me olha todos os dias.
Feliz Aniversário, meu amor!

Nenhum comentário:
Postar um comentário